segunda-feira, dezembro 21, 2015

O melhor caminho é o voto


Partidos de centro-direita, e no governo, foram os mais votados nas eleições parlamentares em Portugal e na Espanha. Não conseguiram maioria de cadeiras, nem tiveram mais votos do que os somados pelos partidos de oposição, e por isso é uma coalizão de esquerda que governa em Portugal, e não se sabe ainda como se formará, na Espanha, uma maioria que possibilite a governabilidade. Pode ser pela direita, pode ser pela esquerda.

Na Argentina, a coalizão de centro-direita ganhou as eleições presidenciais. Por menos de 3% dos votos, mas ganhou, e os peronistas de Cristina Kirchner tiveram, depois de 12 anos no poder, de ceder a Casa Rosada a Maurício Macri. Mas no Congresso Macri precisa negociar para ter maioria.

Há pouco tempo, no Canadá, o Partido Liberal fez maioria absoluta na Câmara e acabou com nove anos de governo conservador. Houve também eleições parlamentares na Venezuela. O governo perdeu a ampla maioria que tinha no parlamento para a oposição, que a partir de janeiro terá condições de interferir na administração do país.

Nesses cinco países, os governistas foram derrotados. Houve troca de comando em Portugal, na Argentina e no Canadá e não se sabe ainda como ficará o governo na Espanha, onde as alianças são mais difíceis por conta do fim do tradicional bipartidarismo. O governo venezuelano não mudou, mas ver uma maioria oposicionista no parlamento foi uma pesada derrota para quem é situação desde 2002. 

Todos esses países passam, há anos, por graves crises econômicas e financeiras, que, como é natural, provocam alto nível de insatisfação na população. Isso explica grande parte dos resultados eleitorais. Seus governos se desgastaram e sofreram as consequências nas urnas.

Eleições periódicas, em países com parlamentarismo ou presidencialismo, são a melhor alternativa para que a população se manifeste e mantenha ou substitua seus governos. Ou mesmo crie uma situação de equilíbrio entre Executivo e Legislativo. Pode acontecer como em Portugal e Espanha, com uma vitória que não garante automaticamente o exercício do governo. Pode ser por pequena diferença, como na Argentina. Pode ser uma vitória estrondosa, como no Canadá, ou politicamente relevante, como na Venezuela.

A oposição no Brasil deveria refletir sobre isso. A frustração dos tucanos e de seus aliados com a derrota em 2014, por pequena margem, levou a oposição a apostar na derrubada do governo legitimamente eleito. Os oposicionistas avaliaram que as condições objetivas e subjetivas estavam dadas, sendo o afastamento de Dilma do poder apenas questão de tempo. Denúncias de corrupção, crise econômica, falta de base parlamentar, enfim, todos os ingredientes negativos se somariam à insatisfação da população, em nível maior do que o eleitorado que votou em Aécio Neves – a maior parcela do qual não por apoiá-lo, mas para se opor a Dilma e ao PT.

As opções estratégicas foram colocadas pela oposição: impeachment, condenação pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Tribunal Superior Eleitoral ou a renúncia da presidente. Tucanos e aliados, incluindo os do PMDB, tinham alternativas diferenciadas para ocupar o poder: a assunção de Michel Temer ou novas eleições. Acossada pela estratégia adversária de não a deixar governar e sabotar todas as tentativas de combater a crise econômica, Dilma se imobilizou, não sabendo reagir à altura e cometendo erros que pioraram sua situação.

Agora está na hora de a oposição cair na realidade. Está muito difícil conseguir o impeachment, não é provável uma condenação judicial e Dilma não dá mostra nenhuma de que possa renunciar. A população, ainda que reprovando e rejeitando o governo, está saturada da política e da politicagem e não vê, em tucanos e no PMDB, alternativas positivas para substituir Dilma.

O vice-presidente Michel Temer e seus colegas do PMDB, os tucanos de Aécio, Alckmin e Serra e seus aliados menores do DEM, do PPS e do Solidariedade têm um caminho melhor do que insistir na derrubada do governo por um golpe paraguaio: é se preparar para as eleições de 2016 e, principalmente, de 2018. Aí sim, com legitimidade, poderão derrotar o governo e ocupar o Palácio do Planalto. No voto.
Texto de Hélio Doyle

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